sábado, 13 de março de 2010

APENAS IDA

Enquanto nossos olhos confundiam-se, eu abri o nosso livro e escrevi a última página que faltava. Logo eu, acostumado a dividir amores, não queria uma porção ao retalho que lhe convém, queria sim poções de ti em doses, e muitas. Eu deitei todas as nossas angústias naquele travesseiro e me empenhei em dobrar nossos lençóis quando o sol viesse, eis meu erro: preocupei-me em fazer-te surgir não como proibida que eras mas sim como a doce inocência de uma menina. Devia ter aceitado a condição de ter-te por fim e não por começo, devia ter decifrado seus códigos no escuro do nosso enredo que por compaixão me privo agora. É que eu ainda lembro tanto do cheiro da sua passagem que eu peço que não me peça. Não me peça para esquecer a sua energia, quem sabe não é ela que abre a porta da minha casa quando eu saio? É, talvez seja ela que ainda me faz sorrir na rua ou que entrelace os dedos de um qualquer despedaçado casal. Envolvido nas cores da sua confusão, eu repito como a uma prece o quanto nossos passos caminhavam pelo mesmo jardim para talvez me convencer que nossos movimentos ainda vão e vêm no mililitro do relógio. Ainda sinto tanta sede dos nossos momentos que no contra-tempo do meu conforto eu me jogo no mel da ilusão, me perco. Acorda coração! Nossos beijos não são mais volta, mas apenas ida.

2 comentários:

Mary Miranda disse...

Caraca que lindo, que orgulho de vc! heuheuhe ;**

Liva disse...

essa é o post mais lindo de todos!
você me mata de orgulho, sabia?