quarta-feira, 29 de setembro de 2010

nós seres humanos somos hilários, somos capazes de trocarmos a certeza de uma coisa boa pela expectativa de uma melhor ainda. vivemos procurando sei lá o que não sei onde, vivemos de mudar o cabelo comprar roupas viver vidas alheias procurar a felicidade, adquirir bichos de estimação novos amores novas vivências novas experiências expectativas extensões extermínios e tantos ex´s. tantos ex´s amores ex´s amigos ex´s pais ex´s mães ex´s famílias.
a vida me parece, dessa forma, resumida a novas procuras e ex´s.
a vida me parece, dessa forma, um senhor de 70 anos com uma cueca samba canção de bolinhas amarelinhas e estrelas rosas:        ridícula! 
- senhor de 70 anos, faça o favor de me dizer que somos, todos, extremamente ridículos ao pensarmos sem pensarmos
– "- me recuso a ser feliz, estou procurando a felicidade!"


- me lembre disso - me lembre de não esquecer - me lembre de te esquecer.
video


poema e vídeo feitos por gabriel pardal [@nomedacousa].
   Uma criança tem amigos imaginários, corre em lugares públicos sem preocupar-se com olhares alheios, grita quando tem vontade e fala coisas que não deveriam ser ditas. Talvez um dito louco na nossa sociedade seja um pouco disso: uma criança que manifesta livremente o que vive e sente em seu próprio mundo, um particular, diferente do mundo vivenciado universalmente. Há quem diga que ser louco é repetir o mesmo gesto diversas vezes, falar sozinho e manter o olhar distante e se for isso mesmo, todos nós somos um pouco loucos em alguma fase da nossa vida. Quantos de nós já não escutamos nosso nome em um local em que estávamos sozinhos, sentimos vontade de gritar para desentalar algo preso dentro de nós, quantos já não inventamos personagens para não nós sentirmos tão sós, falamos sozinhos no banheiro ou temos aquela mania chata que repetimos diversas vezes ao dia? A sociedade vive nos lançando padrões e regras de como agirmos e por vezes muitos sentem-se pressionados em inserir-se em tal contexto a ponto de entrarem em colapso. Há um preconceito quando fala-se em pessoas loucas na nossa sociedade, mas por vezes esquecemos que os gênios da nossa sociedade foram verdadeiros incompreendidos; Van Gogh cortou a orelha, Nietzsche enlouqueceu, Caio Fernando Abreu vivia depressivo, Virginia Woolf se suicidou. Porém, isso não os impediu de deixarem um legado de coisas lindas que traduzem muito sobre suas almas, e sobre as nossas próprias, também.
 Meus heróis? Morreram todos de overdose!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

De perto, ninguém é normal

A vida e o cotidiano dos pacientes do João Machado.
Por Jéssica Guerra.


Entrei em um mundo diferente, as rampas vistas de cima parecem mais compridas do que quando estávamos lá embaixo. Deve ser psicológico, mas o caminho de dentro para fora do Hospital Psiquiátrico João Machado parece mais longo do que o caminho de fora para dentro. Através da recepção vejo ao longe cinco pessoas vestidas com jalecos brancos; enfermeiros, médicos, auxiliares. Pessoas que convivem com o mundo interior do hospital e através de suas profissões partilham as angústias de pessoas vindas de diversos lugares, com histórias totalmente diferentes, mas com uma coisa em comum: o transtorno mental.

Da recepção para o outro lado, que dava início aos leitos dos pacientes, parecia haver algo com um muro de Berlim invisível no hall que divide os dois espaços; recepção e enfermaria. Apresento-me à secretária e agendo uma entrevista com a Assessora de Recursos Humanos do Hospital João Machado. Dia seguinte às 9h da manhã, está marcada a nossa entrevista que revelará um pouco dos sonhos, angústias, medos, sentimentos e todas as coisas que nos fazem humanos, dos protagonistas da nossa reportagem.

“Muitas vezes eles não conseguem expressar o que estão sentindo e isso é angustiante. Por manifestarem idéias desconexas, isso não quer dizer que não exista verdade no que eles dizem, existe sim uma verdade transmitida através de códigos que muitas vezes não conseguimos compreendê-los. Para isso, a arte encurta os caminhos”, diz Silvia Cunha, a assessora de recursos humanos. Também nesse contexto, a arte faz o seu papel revitalizador, funcionando como ponte entre os pacientes e qualquer observador que se depare com alguma das manifestações realizadas por aqueles.

Os quase 150 pacientes do João Machado realizam confecções de quadros e pinturas, caminham pelo Parque das Dunas, praticam esportes e realizam trabalhos em grupos. “Graças à luta anti-manicomial [processo de discussão e transformação dos serviços psiquiátricos, que teve início em 1987] os pacientes com algum transtorno mental recebem outros tipos de tratamento”, explica Silvia.

Antes da reforma, os pacientes eram tratados com violência e agressividade. Eram expostos a choques, uso indiscriminado de medicamentos, isolamento total da sociedade. Não havia um estudo ou uma causa direcionada à melhora da qualidade de vida de pacientes dos hospitais psiquiátricos. Atualmente, embora ainda seja praticada, inclusive no João Machado, a internação e o abandono de uma pessoa com transtorno mental é algo grotesco e obsoleto. O problema é que há negligência de alguns profissionais da área da saúde, que antes de consultar e atentar às queixas de pessoas com distúrbios mentais já as encaminham logo para o João Machado, e, além disso existe também o desconhecimento da família do paciente no que diz respeito de conduzi-los a locais apropriados.

“A sociedade precisa entender de uma vez por todas que os manicômios têm de ser substituídos. A reforma psiquiátrica no Brasil é modelo para o mundo por mais que a Reforma Psiquiátrica Italiana tenha sido a nossa inspiração. Temos os Caps, as residências terapêuticas, os hospitais dias”, diz Breno Lincoln, estudante de Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande. “Lá os pacientes fazem seu tratamento, têm espaço para artes e para expor seus sentimentos, mas ao final do dia voltam para casa, para a sociedade, para colher os frutos que foram plantados”, completa Liva Guerra, estudante de Enfermagem da UFRN.

No processo de instauração da Reforma Psiquiátrica, foram criados os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) visando substituir os hospitais psiquiátricos no Brasil, nesse mesmo contexto tiveram início os hospitais dias como uma nova possibilidade de clínicas de tratamentos para a promoção e inserção social dos pacientes através do acesso ao trabalho e ao lazer. Além desses dois, existem diversas outras redes de assistência ao paciente que ainda precisam ser instauradas em Natal: os lares abrigados, que são unidades em áreas externas do hospital geral onde os pacientes são responsáveis pela limpeza e preparo de refeições enquanto recebem medicamentos e tratamentos adequados, esses são importantíssimos para o abrigo de pacientes que perderam o contato com a família, e, os centros de convivência que funcionam como unidades para mostras, exposições e discussões de projetos, filmes e quadros, funcionando como uma unidade de ligação entre o paciente e a cultura e o lazer.

Nesse caminho e com a ajuda da família, os pacientes podem fazer parte da sociedade e contribuir para o crescimento dessa. O estado do Rio Grande do Norte tem 30 Caps. “11 centros do tipo 1 (atendem pacientes com transtornos mentais em localidades com 20 a 70 mil habitantes), 11 do tipo 2 (atendem pacientes com transtornos mentais em áreas com 70 a 200 mil habitantes), um do tipo 3 (atende pacientes com transtornos mentais em regiões com mais de 200 mil habitantes), e quatro são do tipo CAPS AD (atende pacientes com problemas decorrentes do uso ou abuso de álcool e outras drogas) além de três Residências Terapêuticas”, esses são os dados disponíveis no site do Governo do Estado. Porém, na realidade nós sabemos que a vida das pessoas com algum transtorno mental não é tão bonita assim. Por exemplo, aqui em Natal os Centros de Assistência Psicossocial não são suficientes para abranger todo o município.
SAÚDE MENTAL

A Saúde Mental é dividida em dois termos: neurose e psicose. A primeira refere-se ao indivíduo que sofre de distúrbio emocional cuja característica principal é a ansiedade, nela não se observam grandes distorções da realidade externa, já que a segunda diz respeito à pessoa que sofre de distúrbios manifestados em acessos e alternados entre excitação psíquica e depressão psíquica. Segundo Freud, todos nós pertencemos à primeira categoria, já que cada um de nós tem neurose por algum fator específico: neurose por limpeza, por manias, por métodos, pelo fato de ser homossexual.

Saúde Mental (SM) é tão importante que é uma matéria obrigatória na maioria dos cursos da área de saúde. “O estágio feito no JM (João Machado) através da matéria de SM mudou completamente o modo como eu via os ditos loucos. Antes eu sentia medo. Loucura, para mim, caminhava perto da agressividade. Hoje eu sei que os loucos não são loucos 24 horas por dia, assim como nós também não somos “normais” sempre”, diz Liva Guerra, estudante do Curso de Enfermagem da UFRN. “A fronteira entre o normal e o patológico é tênue, diversos foram os exemplos de loucuras vistas na disciplina de Saúde Mental e Atenção Psicossocial I: Estamira, Profeta Gentileza, Arthur Bispo do Rosário. Eu me pergunto, depois disso, até que ponto somos normais”, completa Breno Lincoln.

Segundo Liva, a matéria de SM é muito importante já que “abre a mente e mostra que o ser humano merece carinho e respeito independente da situação. Os estudantes e futuros profissionais devem lutar contra o preconceito”. Além de um pequeno conhecimento sobre essa área, todos, e principalmente os familiares de um paciente com algum transtorno mental, deveriam também inserir-se mais no tratamento e nas atividades desenvolvidas em oficinas. “A participação dos familiares é de suma importância no tratamento, devemos optar pela humanização da saúde e da sociedade e mudar essa concepção hospitalocêntrica e institucional”, diz Breno. “Atualmente um paciente com distúrbio mental precisa lutar contra dois gigantes todos os dias: a doença e o preconceito”.

A concepção pré-estabelecida de algo sobre o qual não se tem conhecimento é algo comum na nossa sociedade, muitos atribuem valores oriundos de outras pessoas sem ao menos conviver com a situação. “A loucura não pode ser generalizada, cada paciente a expressa de uma forma, é interessante ouvir a história de vida de cada um deles”, explica Liva, “louco é uma palavra muito utilizada hoje em dia, inclusive para uma festa se ela tiver sido agradável. Eu penso que a palavra não deve ser usada de maneira pejorativa ou ofensiva, mas seu uso por si próprio já se tornou algo cultural na nossa sociedade e não existe muito problema nisso, até porque a luta anti-manicomial vai muito além. No mais, precisamos de respeito, sempre!”

“De perto ninguém é normal”, afirma Breno, “e sei que a mudança de concepção é o grande avanço, dessa forma eu penso que todo curso de saúde e de humanas deveriam pagar uma cadeira de saúde mental”. O estudante termina o depoimento citando uma frase do Profeta Gentileza, que era tido como um membro da loucura: “O amor não possui só um r e sim 3r, amorrr. Amor com 1r é somente amor ligado a matéria!”. Breno acha essa citação fascinante. E nós também.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CARTA A UM PLUTÁQUEO

Memórias recortadas, Sr. Plutáqueo.
Por vezes tento colá-las feito cartas anônimas de letras de revistas, em vão. escolho o melhor papel que disponho, branquinho em folha, bonito de ser visto e revisto e revisitado mas é tudo em vão. não há roteiros por aqui, não há enredo, cena ou protagonistas, há sim recortes de lembranças em fotografias tatus-bola girassóis pandeiros microfones bonecas piscinas laranjas borboletas azuis e mulheres vestidas de freiras. mas a gente tenta, Sr.Plutáqueo, você deve lembrar bem como os terráqueos são insistentes. a gente vive tentando mas o papel já não é mais o mesmo, aliás quase não usamos mais papéis por aqui. ecologicamente correto, romanticamente incorreto.

Sinto saudades de quando você veio me visitar aqui na Terra, Sr. Plutáqueo. me sinto mal às vezes porque sei que a distância não é assim tão grande, posso te sentir no quarto ao lado. e resolvi te escrever essa carta também porque você fará meio século de vida em breve e esse é um dos melhores jeitos que sei dizer o quanto sinto a sua falta.

Você anda bastante ocupado por aí? por mais atarefado que esteja, tenho para mim que ainda sabe o que é música, tenho pra mim que ainda se lembra da nossa música, então. então, não sei ao certo quando foi perdida toda a nossa transmissão mas você deveria relevar, naqueles tempos eram todas as coisas mais confusas e o sentido, para mim, dava-se mais pelo ritual do que pela compreensão. por falar nisso, você sabe me dizer quem desligou o rádio quando eu saí da sala? eu desejaria muito saber porque eu voltei a sentar naquele sofá dez anos depois e alguém voltou a ligar o aparelho para mim. creio que seja a mesma pessoa que o tenha desligado.

E a música que nós cantávamos e cantávamos sentados em um sofá velho era linda, não era? eu lembro bem que eu cantava um verso e você o outro, era bem assim. era! você fazia a voz masculina e eu a feminina. ‘ê vida vida que amor brincadeira à vera, eles se amaram de qualquer maneira à vera, qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor valerá’. simples e bonita essa música. bonito esses versos que hoje fazem total sentido para mim e a vida engraçada que é não deixaria barato, logo arranjaria um jeito de tornar sem sentido alguma coisa dessa história. eu já estou sabendo de tudo, viu? já sei que a música se tornou para você sem sentido. um tormento, ouvi dizer. disseram ter ouvido você dizer música de uma nota só repetitiva e cansativa, mal equalizada, mal cantada, mal sentida.

Então resolvi te escrever essa carta, Sr. Plutáqueo, também porque você fará meio século de vida em breve e eu gostaria de te dizer que apesar dos pesares comuns e incomuns, individuais e coletivos, guardo das minhas memórias recortadas lindas fotografias de ti; nós dois sentados em um sofá velho cantando juntos – um verso seu, um verso meu .

As minhas fotografias são impassíveis de revelação mas nas memórias recortadas dos meus pensamentos, as fotografias mais bonitas são em você.

Te amo profundamente Sr. Plutáqueo - Meu Pai.
Ps.: Guardo também de ti a lembrança do girassol que um dia você me deu e eu sonhei que ele chegaria à lua, já pensou a lua? é, a lua. perto de mim, longe de ti!

domingo, 12 de setembro de 2010

Domingo Dia de Baralho

Domingo. Dia de baralho. Não que houvesse um dia específico para isso já que eles jogavam todos os dias da semana e encontravam-se todos os dias no mesmo lugar na mesma hora mas é que o domingo tinha uma face assim mais receptiva aos jogos talvez pelo silêncio, pela falta de pessoas nas  ruas e além do mais um jogo exige um quê de concentração e silêncio e falta de pessoas e domingo era um dia que parecia ser feito para isso e pronto. Vejam só vocês e naquele domingo em especial estavam eles apostando o dobro do que normalmente apostariam em um jogo qualquer. Talvez por ser domingo mesmo ou talvez também pelo fato da sexta-feira de dois dias anteriores ter caído no quinto dia útil do mês, então, ainda sobrara uns trocados do último salário após pagar a conta de luz de telefone de gás de água de pensão alimentícia e todas essas coisas que a gente paga.

Quatro horas da tarde é o ideal, então, o sol está baixando e as pessoas estão preocupadas em vestirem-se para a missa das seis. Quatro elementos sentados em quatro banquinhos ao redor de uma mesinha central. O primeiro, avô de três netos pai de quatro filhos, gostava de café, do calor da cidade onde nascera e do sorriso da filha caçula, não gostava do vizinho da frente, do barulho da igreja da esquina e do jeito folgado do namorado da filha caçula. O segundo, pai de um filho, gostava dos sorrisos de todas as mulheres que o cruzassem a um raio de distância de 10m, de pão com mortadela e do mar, não gostava do vizinho do lado, de pagar pensão a sua ex-mulher que cria o filho adquirido em aventura inconseqüente e não gostava também daqueles malditos gatos que insistem em invadir a sua casa. O terceiro, solteiro, gostava de vinho de qualidade, de escovar os dentes oito vezes por dia e de rapazes mas isso era segredo, não gostava da sua mania de mexer a perna esquerda enquanto jogava, do vizinho do vizinho de trás e não gostava também de usar cintos. O quarto, solteiro, gostava da sua namorada, da namorada do vizinho e da namorada do irmão mais velho e não gostava nem um pouco dele mesmo, nem do seu vizinho e muito menos do seu irmão mais velho.
Estavam concentrados no jogo quando uma senhora se aproxima.
- Boa tarde! - eles mal desviam o olhar. - boa tarde, gente! então, hoje estamos aqui pelo bairro, vocês já sabem em quem votar nessas eleições? é porque o Pastor Smart está se candidatando a deputado esse ano e então eu queria dizer que ele tem projeto para jovens, crianças, adultos, idosos, ou seja, para todo mundo - eles continuam a mal desviar o olhar - aceitem esses santinhos aqui e se não tiverem outra opção de voto, dêem uma força para a gente! eu acredito no Pastor porque ele é um homem de deus e tá tão difícil acreditar nesses políticos hoje em dia. são tantas promessas, não são? pensem bem! o Pastor tem deus no coração e eu também, deus esteja conosco! boa tarde!

Estavam novamente concentrados no jogo quando o quinto elemento masculino do dia se aproxima, desconhecido.
- Boa tarde! - o quinto elemento masculino do dia chegou discreto como feriado desconhecido-inesperado que a gente só sabe que existe no dia. aqueles feriados que tem o nome de um santo que a gente nunca ouviu falar, ou ouviu falar e esqueceu. - minha mulher fez cateterismo, sabe? aquilo no coração e o médico a proibiu de cozinhar qualquer coisa, imagina ficar longe de fogo, como pode? e agora como ela vai fazer a nossa cocada? ela sem fazer e eu sem vender, triste situação a que eu cheguei.

Pela primeira vez desde o inicio do jogo eles desviaram o olhar e o quinto elemento continuou – veja só como é a vida, eu sou do interior e quando criança a gente brincava de gritar com as pessoas que usavam esses óculos aqui, meio grossos assim qual é o nome? isso, a gente gritava fundo de garrafa e olha só onde estou hoje; usando um fundo de garrafa! e ainda por cima não vejo quase nada, preciso trocá-los! vou ao médico porque percebi quando acordei ontem de manhã, eu estava sem óculos porque estava dormindo, lógico! não se dorme de óculos, né? então, eu estava assim  – tira os óculos-  e não via nada aliás não vejo nada, aí eu coloco assim- coloca os óculos- e não vejo quase nada também, melhora um pouco apenas. – aproveitando a quase atenção dos outros elementos, o quinto como quem não quer nada toca em um banquinho vazio ao lado e pergunta – tem alguém nesse banco, isso aí no centro é uma pessoa? – sentou-se - não, é uma mesa, né? eu percebi!
- Toma 1 real! - disse o terceiro elemento, o mais sensível e portanto o primeiro a sensibilizar-se com toda aquela história.
- Opa! mas tá vendo como deus é bom! deus é muito bom, cara... e também dia desses eu estava em cima de uma caminhonete daquelas antigas sabe e meu olho de vidro, o esquerdo, saltou assim na mesma hora em que o carro saltou porque passou em um quebra-molas e parece história de terror dita assim, né? mas foi verdade! o pessoal daqui do bairro sabe que eu não minto, sabem que eu sempre fui trabalhador sempre gostei de levantar cedo e agora eu não sei como vai ser a minha vida sem vender cocada, sem minha mulher poder chegar perto de fogo, o médico disse que ela não poderia. alguém está me ouvindo?
- Não! – disse o primeiro elemento, o avô de três netos pai de quatro filhos.
- Mas olha só, você não é maria mas é cheia de graça e por falar em maria deus é bom, espera que deus é bom e se levantou tateando o ar, caminhando em direção à rua deserta.
- Como pode alguém sair de casa nessas condições? - perguntou o segundo elemento, o que gostava de ver o mar. - e continuaram o jogo!

E os quatro elementos jogadores pensaram ao mesmo tempo que deus era um camarada muito ocupado, olha só quanta gente esperando nele; a mocinha do pastor, o mocinho da cocada, e quantos ainda hão? os quatro elementos jogadores pensaram que esperar por deus talvez fosse um pouco disso: sentar em um banquinho no meio de uma rua numa tarde de domingo em uma cidade pacata porém com uma diferença; sem mesa, cartas de baralho ou companhia. é, esperar deus talvez seja isso mesmo: sentar em um banquinho no meio de uma rua numa tarde de domingo em uma cidade pacata, e sozinho.

(des)ilusão

Ele abriu a janela e pôde sentir o calor do sol a esquentar e pintar de leve os seus pêlos, pintando assim um pouco de um dourado vivo brilhante e tornando-os dessa forma mais vivos, mais bonitos, eles até brilham, vejam só! e esquentam, esquentam. e os passarinhos cantam um canto bonito e voam através de um lindo jardim de flores amarelas, azuis, vermelhas, com rosas margaridas mini-pés cajueiros pinheiros pingos dourados orquídeas violetas e os tais animaizinhos simpáticos e voadores trazem para nós e para Ele jornais em seus bicos finos, como faziam os antigos pombos-correios, jornais com as boas (as boas, mesmo! somente boas) novas dos nossos dias que são tantos dias, cada um particular, cada um plural! e nas páginas as matérias felizes do médico que largou a vida para dedicar-se às crianças aidéticas na África, o pedreiro que bateu sozinho na megasena acumulada, o mocinho que se jogou ao mar com tubarões para salvar a namorada e espera! pára! não é nada disso! o verdadeiro dia não começou bem assim tão bom, para falar a verdade começou bem bem mal, como um dia verdadeiro. ah! Ele abriu a janela e pôde sentir o frio que fazia lá fora, frio pesado. o sol tímido escondido atrás de uma névoa branca, enorme, que não se podia distinguir se poeira, poluição ou nevoeiro ou os três juntos, quem sabe. mas esse será o nosso verdadeiro dia agora, esqueça o sol, as borboletas, o calor dourado, esqueça os passarinhos, esses já pressentiram a presença da chuva e estão escondidos em outras histórias. os jornais, porém, ainda permanecem e nos trazem ao invés de boas novas, más velhas. aquelas mesmas de sempre do político que desviou dinheiro público, o pai que estuprou a filha e logo após matou a família inteira, o médico que cometeu um erro gravíssimo ao diagnosticar um paciente cardíaco em estado terminal alegando ser esse apenas mais uma vítima da última virose da vez. é, Ele abriu a janela e se deu conta de que não havia jardim algum, os vizinhos desse planeta terra já fizeram o favor de destruir quase todos e se há lixo no mar por que não haveria de ter no lugar onde deveria crescer o meu jardim? e por falar em crescimento uma coisa o estressa profundamente: o fato de crescemos agora sempre para cima. já percebeu que não se vive mais em grandes casas com jardins? é, triste o momento em que quisermos imitar os americanos inclusive na sua arquitetura econômica e amontoadora de "apertamentos". Ele abriu a janela e tornou a fechá-la, deu meia-volta e pôde ver seu hamster em cima da estante de livros lidos e não lidos, filmes vistos e não vistos. dormindo de novo? como deve ser a vida de seus primos, hein? não muito diferente, a vida de um rato correndo por buracos e esgotos e excrementos e odores não deve ser muito distante da vida nessa cidade, não é? abriu a porta branca de fechadura difícil, preciso trocar isso urgentemente! atravessou o corredor gritante de lembranças, primeira à direita e cozinha, cozinha algo para mim, mãe? mas onde está a minha mãe, não posso esquecer de ligar para ela, no final-de-semana eu ligo sem falta. e para o café da manhã ainda resta o café de ontem, frio e amargo nos dois sentidos, liga a televisão no jornal da primeira edição matinal e enquanto calça seus sapatos para mais um dia de rato recebe novamente uma enxurrada de más novas. o pai que matou a filha que matou o marido que matou o primo que matou o cachorro e chega, alguém desliga a tv? mas quem? então certo, eu mesmo o faço. hora de ir para o trabalho, abre outra porta de fechadura difícil, preciso trocá-la imediatamente também mas não sem antes lembrar de regar a planta da sala de entrada, a coitada não vê água há dias e que é isso, não faz mal, é artificial! ri de si mesmo, que grande bobo! descendo a escada em forma de caracol simultaneamente se recorda vagamente de uma história que diz que plantas em ambientes fechados fazem mal, mas não consegue se lembrar o porquê e essas coisas sem porquês não validam muito o resto das coisas ou validam sim, validam tudo. abre o portão, que frio, inspira forte, respira o ar pitoresco daquela cidade bueiro e de repente sente saudades. por onde será que ele anda? com que pés será que ele anda? em que pés ele se enrosca? uma vontade de ligar assim sem mais nem menos, sem nenhum motivo aparente e falar muito ou ouvir muito ou sentir muito mas já faz tanto tempo! mas já faz tanto tempo e ainda sonha com ele, como pode? loucura! e além do mais nem sei mais o número do telefone, aliás saber eu sei, impossível esquecer depois de tantas ligações de bom dia boa tarde boa noite meu leãozinho. ah, o comum dos mortais é esse eterno desencontro de todos nós e que ônibus é esse? estou no transporte certo? motorista, esse ônibus passa na rua do espelho? que sorte! ônibus certo. que azar! mais um café amargo ao chegar ao trabalho, amargo nos dois sentidos, e esse corredor imundo do prédio B não ajuda. veja que trabalho de rato.. escrever contos. alguém mais lê contos? e se os lê, duvido que esses tais leitores morem nessa cidade bueiro. sorte por essas bandas é o zé, meu comparsa antigo... fica por ali, enrola o chefe e tira o final do expediente para conversar e conversa e me envolve nas conversas sobre clima, prostituição, turismo sexual, futebol, adriana calcanhoto, almodóvar, frida kahlo, freud, nietzsche, van gogh e outros incompreendidos, a luta manicomial, a loucura, a cidade onde seus pais nasceram, as ideologias, o paradigma dominante, a representação de um animal de estimação no âmbito familiar e me dá vontade de ser feliz ao vê o zé interligar assuntos tão distantes numa mesma tarde. e o expediente finalmente chega ao fim, são 19h- a hora da coragem. cartão telefônico na mão, coração disparado e pressão no braço esquerdo apertado, daquele tipo de pressão que a gente só se dá conta que está fazendo em si mesmo quando se dá conta mesmo. o telefone do outro lado da linha só fazia chamar logo agora que ele havia decidido ligar, aliás eram 19h e:
- Alô? - era a voz dele, era de novo aquele tom grave de voz masculina percorrendo seus sentidos, que saudades desse tom dizendo no tom certo te amo que te amo que te amo.
- Alô, Jeff! Sou eu, o Luca! - silêncio... silêncio... silêncio...
- Luca? Oi cara, quanto tempo, velho! Tudo bem com você? - ele e aquela linda mania de querer saber, verdadeiramente, se tudo estava bem.
- Bem, Jeff, ótimo! - mentiu Luca na frase mais repetida e mentirosa de que se tem notícia - então, sabe o que é... eu estava regando a planta dia desses e o zé, se lembra do zé que trabalha comigo? assim ele me ligou na hora dizendo que você estava vendendo um imóvel e sabe eu estava querendo dar uma olhada até porque estou com um dinheiro sobrando d'uns projetos aí, é um apartamento? 
- Não, é uma casa enorme com um lindo jardim.
- Um jardim?
- É.
- Um jardim... olha, eu menti quando disse que estava bem não estou nada bem não estou nada bem  e também não tenho porcaria de dinheiro nenhum eu só tenho saudade e muita e isso estava guardadinho escondido dentro de mim até escutar o zé falar o seu nome e me falar que você tinha um imóvel para vender e nesse momento o que estava guardadinho escondido dentro de mim explodiu saltou para fora e para dentro e eu lembrei do que a gente foi um dia e me deu uma vontade enorme de te encontrar por acaso assim em qualquer esquina dessas e eu esperei pelo acaso até desistir já que esse tal acaso não nos tem ajudado e por isso resolvi ligar e te dizer que tenho pensado em você e desde então não tenho mais regado as plantas e também não sei o porquê fazia isso antes já que elas são artificiais e me ocorrem sonhos melhores por esses dias porque os sonho em você e eu tenho sonhado com o sol, cara! e veja só você, devo estar louco de sonhar com o sol em uma cidade bueiro como essa que a gente vive. - respira - ou devo estar louco ou devo te amar demais, cara!
-Luca, eu também quero te dizer que também senti a sua falta todo esse tempo e por isso falei pro zé que estava vendendo um imóvel na esperança dele te dizer algo sobre porque eu sei o quanto você gosta de grandes casas com jardins e acha todo esse crescimento vertical em apartamentos a coisa mais babaca desse mundo e.

E espera! pára! a verdadeira história não terminou bem assim tão feliz.

- respira - ou devo estar louco ou devo te amar demais, cara!
- Luca, não dá. no começo eu até sentia algo assim por você mas o tempo passou foi passando e hoje eu sei que acabei confundindo um pouco as coisas naquela época e o que eu senti não seria suficiente para tentar  nada você sabe que não envolvia somente a gente envolvia outras pessoas e por sorte eu percebi há tempo que não deveríamos levar mais aquilo tudo adiante. - respira - te falei isso assim porque senti que era mais do que necessário desculpa se aparentei ser ríspido e eu casei luca estou casado com uma mulher maravilhosa e é tudo mais fácil. próxima semana é o batismo da minha filhinha.

Desligou! desligou e levou a vida adiante e talvez a versão dura dessas coisas seja a versão ocorrida, verdadeiramente, até porque o comum dos mortais são esses nossos desencontros. MAS, inventa um final bonitinho inventa algo bem happy end inventa bem inventado uma história menos clarisse lispector - 'nem no pensamento vale o que apenas seria' - e menos caio fernando abreu - 'de qualquer forma desespero, e agradável'.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

o menino que crescia a cada independência

Veja só o destino do nosso Pedro, há 19 anos nascer no dia da Independência. Que dia bonito de se nascer hein? Que me dizes? Ah, ele quando pequeno achava bonito mesmo isso de nascer num dia histórico e não somente pelo significado da data, mas também, e principalmente, pelo nome.

Quando tinha a metade da idade que tem hoje, ou seja nove anos e seis meses, adorava responder para todo mundo o dia em que havia nascido e respondia sempre, respondia muito, respondia até mesmo quando não havia pergunta alguma, até mesmo quando não haviam perguntado. Eu nasci no dia da Independência do Brasil dizia com aquele tom agudo de menino-de-nove-anos-não-desenvolvido-ainda-um-pouco-longe-da-puberdade. E sorria. Sorria bonito como somente um serzinho de nove-anos-não-desenvolvido-ainda-um-pouco-longe-da-puberdade sabia sorrir.

Vejo só o destino do nosso Pedro, há 19 anos carregar nas costas o fardo de ser o menino que nasceu no dia da Independência. Ele tinha um posto a zelar, não? É como ser Marechal do Exército, Almirante da Marinha, pior, é como ser um Coronel na República Velha. Ele deveria ser exemplo para todas àquelas pessoas, deveria ter um comportamento exemplar, tirar as melhores notas, seguir todas as regras, afinal, ele nascera em um dia em que ninguém no Brasil deveria trabalhar ou estudar ou realizar qualquer atividade remunerada ou até mesmo se cansar nesse dia. Nesse dia deveria haver apenas concentração, reunião e patriotismo. Quero todo mundo reunido no Desfile de Sete de Setembro no centro da cidade, quero ver as pessoas cantando o hino nacional com as mãos para trás, quero fogos e empolgação, quero sorrisos e devoção, quero marchas um dois um dois um dois repetiam os soldados, é, aqueles mesmos, os do posto mais baixo da hierarquia hierarquizada, sem redundância, do exército. Pedro instigava todos os seus amigos para o dia do seu aniversário à La desfile e vivia dividido entre marcha soldado cabeça de papel se não marchar direito vai preso no quartel e os ecos repetidos, sem redundância, um dois um dois um dois dos soldados daqueles mesmos do posto mais baixo da hierarquia do exército.

E esse espírito crente e deslumbrado ao ver a bandeira do Brasil permaneceu em Pedro até o dia em que atendeu um telefonema da tia. Alô? Não, a mãe não está! E desligou. Voilá! Esse telefonema transformou tudo, transformou a sociedade, o mundo, as pessoas, ou melhor, transformou a forma toda de como ele via tudo e parecia que dessa forma tudo havia realmente mudado, mas somente ele mudou naquele instante. Ao responder a tia, Pedro notou em si um tom grave de menino-de-quinze-anos-que-atingiu-a-puberdade e que começaria então a pensar de outra forma e enxergaria então um outro mundo e suas atividades então passariam a ser outras.

A primeira coisa que ele fazia sempre e que deixou de lado no próximo aniversário, o de 16 anos, foi a velha comemoração à La desfile, Pedro se deu conta quando-atingiu-a-puberdade que soldados eram exacerbadamente milhares de vezes mais ecos de um dois um dois um dois do que marcha soldado cabeça de papel se não marchar direito vai preso no quartel. E além do mais ele havia acabado de fazer 16 anos, não poderia mais se dar ao luxo de completar idade a cada mês ou a cada dia, como quando a gente é criança e completa nove anos e seis meses.

O mundo é outro, velho! Pedro atualmente cospe na bandeira do Brasil, acha patriotismo o fim da picada e nunca, em hipótese alguma, serviria ao exército, inventou miopia grave de doze graus no dia do exame. Veja só o destino do nosso Pedro, completou 19 anos ontem e ao acordar, de ressaca, há 26 minutos, no meio da manhã, viu três passarinhos através da porta cantando músicas doces de melodias puras e verdadeiras e de repente ele se deu conta de que não deveria se preocupar com nada, que cada pequena coisa iria se resolver e tudo ficaria bem. Otimismo e Rebeldia. Pedro soltou um grito então. Então e enfim o nosso menino atingiu a Independência, Brôu!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O QUE ME RESTARÁ, AFINAL

Sei que posso ser quem eu quiser e ainda ter quantos amores eu bem entender, somente não sei, ainda também, que no final de tudo isso sempre vai me restar ou sobrar alguma coisa; uma metade ou metade da metade do que eu ainda não vi, do que eu ainda não senti. É, meu bem, essa tal metade da metade do que eu ainda não vivi e eu sei que ando complicando as coisas, que ando fazendo coisas que não fazia, eu sei. Eu sei que ando falando coisas que eu não sou, mentindo sentimentos que eu não sinto, eu sei, eu sei que ando me tornando para você um alguém que não te pertencia, da mesma forma como você se tornou naquela época um alguém que não me pertencia e hoje eu me vejo de repente pensando até em qual momento você seria esse tal alguém ou um outro, menos surpreendente, e que de qualquer forma não me pertenceu, não me pertenceria também. E tudo se encaixaria, se ajeitaria no final, se não houvessem as lembranças de algo que eu não vivi e que louco isso! Como pode se ter alguém lembranças de coisas não vividas? E tudo se encaixaria, se eu me desse conta de repente do exato limite que se fez entre nós e me fez imaginar em você coisas que você não era, imaginar com você momentos em que você não estava; imaginar nós, afinal. Afinal, deve ter uma lembrança que me remete a tudo isso e me faça de repente perceber o propósito de tudo aquilo e o propósito de eu te escrever isso agora ou deve haver, mesmo, um propósito que demonstre o não propósito de tudo isso que a gente (não) viveu. Então, me deixa, me deixe descobrir o meu verdadeiro caminho mesmo que doa, porque dói. Me deixa, deixe de ser a menina mais linda com esse sorriso que me faz sorrir, então, ou aquele sorriso que me fazia sorrir, e isso faz toda a diferença. Me deixa, então, deixe de ser a menina mais linda desse mundo até quando faz as coisas mais cotidianas, mais sem graça desse mundo. Me deixa, então, que eu já sei no final de tudo isso sempre vai me restar ou sobrar alguma coisa; você.
No final de tudo isso sempre vai me restar. Ou sobrar e. E isso faz toda a diferença!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Olha só que missão a que me deram amigo: falar de você para você.

Já fomos tão mais próximos em presença, no começo lembro que andávamos sempre juntos
e o tempo passou, pois.
E algo te faz crer que minha próxima frase será algo do tipo
“mesmo que andemos distante, estarei sempre contigo, conta comigo”
Nada disso.
Estamos mais próximos ainda, sente? Não em termos físicos, presenciais e tal e coisa e coisa e tal,
 mas estamos mais próximos em mente.
Hoje eu sinto uma energia ainda maior do que aquela energia que nos ligava há algum tempo
e nos fazia estar mais próximos fisicamente, a se ver sempre por aquelas noites.
Não saímos mais como saíamos antes, o tempo passou, depois.
Depois ocorreu de aparecer uma pessoa linda na sua vida
e que roubou um pouco seu tempo de mim, de nós
E agora eu tenho todo o direito de roubar o seu tempo,
de roubar o tempo de vocês para dizer que desejo,
desejo com todas as minhas forças, sente?

Desejo a melhor coisa que existe nesse lugar, mundo, universo a vocês.
Desejo um amor lindo, um amor sincero, um amor amor.
Desejo uma felicidade linda, uma felicidade sincera, uma felicidade felicidade, enfim.
Enfim desejo a vocês, meus amigos, um amor felicidade!

"Tenho amigos tão bonitos. Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica.” [CFA]

*Recadinho rápido a um amigo especial: Arthur, Feliz Aniversário!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Porque eu não deixaria nada acabar com o que já acabou. Pensa pensa pensa eu não deixaria nada enfeiar o que já foi tão bonito um dia e por isso eu me senti indo embora um pouco quando vi que qualquer gesto e palavra e atitude e olhar e qualquer qualquer passo para frente ou para trás enfeiaria aquilo que já foi a coisa mais bonita que eu já tive. E sempre que eu te vejo fica aquele sentimento que ainda não encontrei um nome para descrevê-lo mas se resumiria em algo como “poderia dar certo de novo”. Não, esperança não é. Esperança para mim tem que doer, velho, e isso já foi embora há um bom tempo. Tem que doer para ser considerada esperança e nada em você me dói, nada em você me amedronta, nada em você me faz ter vontade de fechar os olhos, pelo contrário, eu os quero bem abertos quando você chegar. É, quando você chegar, porque voltar, voltar mesmo, eu já perdi a esperança dolorida de que você volte um dia e pensando bem não tem como voltar algo que nunca se foi, não tem como voltar algo que nunca esteve, não é?

Ou você esteve sim, eu senti e talvez isso me dê a certeza de que você esteve por aqui.
Eu senti e pensei e no meu pensamento tenho o direito de ser quem quiser e estar com quem quiser, não é? 
Me responde então, você esteve em mim durante todo aquele tempo, não esteve?
E se não, por onde andavas?