quarta-feira, 16 de março de 2011

SOBRE UMA RUA

Talvez eu devesse escrever sobre aquele pequenino menino e sobre aqueles outros dois garotos que estavam a brincar através daquela minúscula rua de barro sem saneamento e que, tão carentes da mínima atenção, disputavam um ou dois gritos a mais entre um chute na bola de meia velha e remendada e o ruído de buzina produzido por um carro qualquer. Ou talvez.
Ou talvez não, talvez faça mais sentido (e que sentido?) escrever sobre a conversa da moça solitária que esperava o seu marido na mesma minúscula rua de barro sem saneamento e que, tão carente da mínima atenção, disputava um ou dois assuntos a mais entre um cigarro vagabundo tragado sob os três batentes de cimento batido que dividia a humilde casa de um vão (apenas) daquela mesma minúscula rua de barro sem saneamento.
"Por aqui é perigoso" "Você pode ficar, se quiser" "Quantos anos você tem?" "Por que pararam de brincar?" "O meu marido sempre se demora a chegar e essa cidade não me atrai" e. e. e vez em quando eu me pego a pensar qual será o destino da nossa moça solitária., será que o marido dela retornou à casa de três batentes? E sobre o pequenino menino? O que irá se tornar? Me desculpem vocês, mas só consigo enxergá-lo como um incrível lutador de circo, instaurado em tantas outras ruas de barro sem saneamento, por aí.

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