sexta-feira, 2 de abril de 2010

E SE?

Eu te desejei, não tanto por você, te desejei mais por mim mesma. E triste de mim que ficava a observar de uma sombra o nosso tempo evaporar como gotículas no sol, se esvair como monóxido de carbono, se deixar levar como uma leve pena no vento, uma pena não é? Nosso tempo explodiu como uma bomba, uma bomba atômica! E quando me diziam que "todas as flores têm seu fim" eu não escutava simplesmente porque suas mãos falavam mais alto do que milhões de outras bocas, eu não ouvia aquelas palavras, ouvia os seus toques. Eu embarcava nas suas sensações para me sentir única, para me sentir primeira, para me fazer a sua última.
O tempo poderia ter-se feito meu aliado, e se ele houvesse cochichado o que estava por terminar? Talvez eu soubesse de tudo ou talvez não. E se o desespero de te querer ao meu lado houvesse gritado o que estava por começar? Talvez eu desistisse de tudo ou talvez não. E se a gente voltasse a se (des)encontrar? "E se", "e se". Nesse "e se" é que a vida vai passando, a vida já passou e vai passar. Vai continuar passando e eu não me esqueço nunca do seu "nunca me esqueça", vai passando e eu não me esqueço do seu sorriso, vai que no fundo ele tem algum sentido ou direção ou na superfície vem, ele era pura diversão.
Agora eu posso ver. Agora eu posso dizer. Vai e retire vocês os seus atos, retire você o seu teatro porque a minha consciência é leve, leve como a pena que um dia o vento levou junto com o nosso tempo, leve porque eu bem sei que não pedi de volta o meu abraço, nem desejei nada além da sua sintonia, do seu ritmo. Mas vem que meu coração se acalmaria ao você dizer que sentiu um palmo do continente do que eu te disse, vem que eu já tive tanto medo de te conhecer como pessoa e por isso paguei tanto para continuar assistindo à sua apresentação, vem que no fundo eu idolatrava o fato de você precisar de mim mesmo que não fosse como sua mulher, mesmo por conveniência.
E se eu pudesse te ver novamente, perguntaria o que seria se esse "e se" nunca passasse... e se talvez você me respondesse com certeza diria que no inesperado eu ficaria feliz, bem feliz. É, talvez. Ou talvez não.

*Foto extraída do blog: http://leloveimage.blogspot.com

Um comentário:

Anna Luiza disse...

meu texto preferido!